O médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Maré, na Zona Norte do Rio, sequestrado por
bandidos na madrugada de domingo (15) para socorrer um criminoso
ferido, prestou depoimento na 20ª Delegacia, em Vila Isabel, na tarde
desta segunda-feira (16). O RJTV teve acesso com exclusividade ao
depoimento que tem detalhes de toda a ação dos bandidos.
O médico de orgiem colombiana contou que o homem chegou à unidade de
saúde com um ferimento grave no braço, cotovelo e antebraço. O criminoso
sangrava muito e, segundo o médico, entrou em choque várias vezes por
causa da perda de sangue. Ainda na UPA, o médico fez o primeiro
atendimento com torniquete, além de reposição de líquidos e sangue.
Ainda segundo o médico, ele foi obrigado, junto com os segurança da UPA, a seguir na ambulância.
A polícia também tenta identificar uma mulher "forte e aparentando
entre 20 e 30 anos", que seguiu o tempo inteiro ao lado do ferido. O
médico a descreveu como "loira, baixa, branca e que não se comunicava
com ninguém".
Antes de deixar a Favela da Maré, o médico disse que dois homens
questionaram o estado de saúde do paciente com "perguntas técnicas", o
que o levou a acreditar que eles entendiam de medicina.
No depoimento, o médico contou que a ambulância passou por um lugar
parecido com a Rodovia Washington Luis, na Baixada Fluminense. Durante
todo o percurso, ele disse que ficou segurando o braço do paciente.
Cabeça baixa e olhos fechados
O colombiano disse também que, depois que o paciente deu entrada na
clínica, ele e o segurança da UPA foram colocados em um carro preto e
obrigados a ficar de "cabeça baixa e olhos fechados". O médico relatou
ainda que os dois voltaram para a UPA, na Maré, onde chegaram por volta
das 8h de domingo.
A investigação do sequestro está sendo feita pele 21ªDP, em Bonsucesso,
na Zona Norte. A polícia agora tenta localizar a clínica para onde o
criminoso doi levado.
A polícia também já sabe que o criminoso não é o TH, chefe do tráfico
da região da Maré, mas investiga se o criminoso seria um dos gerentes da
favela identificado como Renan. Segundo os invetigadores, o médico viu
uma foto do suspeito, mas não pode afirmar que era o criminoso. De
acordo com o depoimento, o porte físico seria igual, mas o cabela
parecia diferente e o rosto estava inchado demais para ser reconhecido.
O colombiano também disse que só pensava em salvar a vida do ferido, que é sua "obrigação".
Sequestro após tiroteio
A história começou na madrugada de domingo, na Linha Amarela, sentido Barra da Tijuca.
Um grupo de bandidos armados, parado numa blitz do Batalhão de Vias
Expressas trocou tiros com policiais. Um PM foi atingido na barriga e
socorrido no Hospital Federal de Bonsucesso. Um bandido também foi
baleado.
Na tentativa de salvar o traficante, cerca de 50 bandidos renderam
funcionários da UPA da Maré e levaram médico, segurança e uma ambulância
para que o criminosos pudesse receber atendimento em outra unidade.
O PM Daniel Henrique da Silva, baleado no tiroteio na Linha Amarela, passou por uma cirurgia e se recupera bem.
G1.com

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