Por
maioria de votos, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
manteve decisão do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) que havia negado a
revogação de prisões preventivas de sete vereadores da Câmara Municipal
de Itarema, decretadas durante a Operação Fantasma, em 28 de junho
deste ano. Para uma vereadora, mãe de filhos menores, foi concedida
prisão domiciliar.
Investigações do Ministério Público Estadual do Ceará (MPCE) apontaram
que 20 dos 39 funcionários da Câmara Municipal de Itarema eram
"fantasmas", ou seja, recebiam salários sem trabalhar. Um dos servidores
que possuía esse vínculo irregular com a casa legislativa é um vereador
eleito em Amontada, a 47 quilômetros do município.
Os presos são suspeitos de estelionato, falsidade ideológica,
falsificação de documento particular e peculato. Segundo denúncia do
MPCE, os servidores fantasmas recebiam salários sem comparecer ao prédio
do legislativo municipal para trabalhar. Outras pessoas contratadas
eram obrigadas a repassar parte de seus salários para os vereadores
investigados.
Oito vereadores tiveram a prisão preventiva decretada: João Vildes da
Silveira (presidente da Câmara Municipal), João Gomes da Costa, Leandro
Oliveira Couto, Magno César Gomes Vasconcelos, José Ubideci dos Santos
Santana, José Everardo Marques Alves, Roberto Diniz Costa e Daniela
Souza de Matos.
Fundamentação concreta
Nos recursos submetidos ao STJ, os vereadores alegavam não estarem
presentes os requisitos autorizadores da prisão e que seu afastamento do
cargo já seria medida apta a evitar possível reiteração delitiva.
O relator, ministro Nefi Cordeiro, não acolheu os argumentos. Segundo
ele, as prisões tiveram fundamentação concreta, baseada na
periculosidade dos acusados, nas denúncias de intimidação de testemunhas
e de interferência na produção de provas.
“A jurisprudência desta corte superior é pacífica no sentido de que
justifica a prisão preventiva o fato de o acusado integrar organização
criminosa, em razão da garantia da ordem pública, quanto mais diante da
complexidade dessa organização, evidenciada no número de integrantes
(e/ou presença de diversas frentes de atuação; e/ou contatos no
exterior) ou ainda grande poderio econômico ou político, considerando a
vultuosidade dos valores desviados por agentes públicos”, concluiu.
Investigações
A investigação do esquema ilícito teve início após denúncias de uma
pessoa que se sentiu prejudicada por não conseguir receber benefício
previdenciário em razão de um suposto vínculo com a Câmara Municipal de
Itarema, até então desconhecida por ela. A partir daí, o MPCE iniciou as
investigações sobre as contratações.
A prisão dos vereadores se deu na segunda fase da "Operação Fantasma"
em Itarema. A primeira ocorreu em abril deste ano, quando foi cumprido
um mandado de busca e apreensão com o objetivo de investigar o suposto
esquema de “servidores fantasmas” na gestão da Câmara Municipal.
Filhos de ex-prefeito
A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) decidiu
manter as prisões preventivas de dois filhos de ex-prefeito de Itarema,
suspeitos de irregularidades na contratação de transporte escolar no
município, distante 237 km de Fortaleza). O pedido de liberdade, votado
na sessão desta terça-feira (24), teve como relator o desembargador José
Tarcílio Souza da Silva.
Os dois foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), por
supostos crimes de organização criminosa, desvio de dinheiro público
(peculato), dispensa ilegal e fraudes em licitações nos anos de 2013,
2014 e 2015. Eles tiveram a prisão decretada no dia 21 de julho deste
ano, conforme decisão da juíza Kathleen Nicola Kilian, em respondência
pela Comarca de Itarema.
Conforme o processo, um deles desempenhou a função de secretário de
Administração e Finanças, e o outro exercia, de fato, a chefia do
Executivo local, apesar de não possuir cargo no início da administração
municipal, em 2013, quando o esquema teria sido montado.
Os dois estariam, de acordo com o MPCE, entre os principais
responsáveis pela atuação da organização criminosa. As investigações
fazem parte da “Operação Carroça”, que apurou esquema fraudulento,
iniciado em 2013, de servidores públicos municipais e empresários para
dispensar licitações destinadas à contratação de transporte escolar.
G1/CE

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