Uma
criança de um ano e cinco meses morreu com pneumonia em Rio Claro (SP)
após passar cinco vezes por consultas médicas. Os pais acreditam que
houve negligência nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e registraram
um boletim de ocorrência.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que a Delegacia de
Defesa da Mulher (DDM) instaurou inquérito policial para apurar os fatos
e irá agendar os depoimentos dos envolvidos.
A Fundação Municipal de Saúde de Rio Claro informou nesta quinta-feira
(14) que ao tomar conhecimento do caso determinou a abertura de um
procedimento investigatório para apurar o que aconteceu.
“Nesse procedimento, em se havendo a comprovada culpabilidade dos
servidores envolvidos, os mesmos deverão sofrer as sanções previstas em
lei”, diz a nota.
Busca por atendimento
A família contou que enfrentou uma peregrinação em busca de
atendimento. Durante mais de uma semana, pai e mãe levaram a pequena
Manuelly Caroline Borges Fávaro várias vezes ao médico. “Estamos
despedaçados, isso dói demais”, disse o pai, Bem Hur Fávaro Borges.
No começo do mês, Manuelly apresentou tosse, respiração ofegante,
vômitos e palidez. O plano de saúde particular não atendeu porque mãe
tinha sido demitida dias antes.
Os pais então foram à UPA da Avenida 29. Segundo eles, o pediatra
diagnosticou problemas de garganta e receitou expectorantes,
antiinflamatórios, inalação por quatro dias e liberou a menina, que não
melhorou.
No dia seguinte os pais levaram a criança até a UPA do Cervezão com os
mesmos sintomas. O médico passou antibióticos, mas o atendimento foi com
um clínico geral porque não havia pediatra no local.
“Você chega na madrugada, vê sua filha sua passando mal, corre em uma UPA e não tem um pediatra para atender a criança, isso eu não acho correto”, disse Borges.
Preocupados, os pais marcaram uma consulta com um médico particular.
Ele confirmou o diagnóstico do clínico geral e manteve a medicação. Sem
melhora no quadro, a família levou a menina novamente à UPA do Cervezão.
Uma pediatra receitou sete injeções que deveriam ser tomadas todos os
dias durante uma semana. A medica pediu raio x e constatou a pneumonia.
Logo que começou a tomar a medicação, a menina teve uma melhora, mas no
quarto dia o quadro se agravou. A família levou a criança mais uma vez à
UPA da Avenida 29. Por coincidência, a menina passou com o primeiro
pediatra, o mesmo que disse ser apenas um problema de garganta.
Manuelly recebeu atendimento, mas teve uma parada cardíaca e depois de
passar por cinco atendimentos com quatro profissionais diferentes, a
criança morreu no último domingo (10).
Na cópia do atestado de óbito consta problemas cardíacos, insuficiência respiratória e pneumonia extensa.
“Ela não estava sendo atendida adequadamente. Quero que seja feita justiça no sentido que não aconteça com outras famílias. Ela tinha todo um futuro pela frente, que foi interrompido por pessoas que não tem um profissionalismo”, disse o pai.
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EPTV


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