Crianças e adolescentes foram flagrados empurrando um ônibus escolar que
ficou atolado em uma estrada rural no bairro Praia Branca, em
Paranapanema (SP).
Adilson
contou que mora no bairro há quatro anos e que as más condições da
estrada causam transtornos para os estudantes, já que o ônibus escolar
não consegue trafegar. Para ele, ver os três filhos empurrando o veículo
foi lamentável, por isso resolveu registrar.
“Meus filhos estavam voltando pra casa, quando o ônibus atolou perto de
onde moro. Muito complicado vê-los ajudando a retirar o ônibus.
Lamentável. Por isso fiz o registro. Em seguida, eu também ajudei a
empurrar. Está cada dia complicado. A gente é obrigado a pegar o carro
porque é época de prova e minhas meninas perderam muitos dias de aula. A
gente reclama e nada é feito”, ressalta.
Wilson Teixeira é um dos estudantes que aparecem no vídeo. Segundo ele, todos resolveram descer para ajudar o motorista.
“A gente estava voltando da escola e o ônibus começou a patinar na areia. Aí nós fomos ajudar o ônibus. Porém, não deu certo e teve que vir o trator”, conta.
O motorista do ônibus Aparecido Gregório diz que o caminho para buscar
as crianças no bairro é sempre desafiador devido às dificuldades. Por
conta da terra, a estrada se torna arenosa e faz com que ele não tenha
firmeza na direção.
“É um ‘ganha pão’ meu. A gente passa por dificuldade, mas só eu sei o
nosso sofrimento. Encalha o ônibus direto. A gente sofre demais. Quando
encalhou dessa vez, os alunos resolveram descer e ajudar a empurrar. É
difícil demais”, diz.
Em nota, a prefeitura afirmou que não era do conhecimento o fato dos
alunos terem empurrado o ônibus e que a empresa responsável pelo
transporte escolar é contratada. Porém, vai abrir processo
administrativo para apurar as responsabilidades sobre o que mostra o
vídeo e tomar as punições cabíveis.
Transtornos
A dona de casa Viama Pires dos Santos afirma que o ônibus não consegue
parar na porta de sua casa e os seus dois filhos precisam ir até um
local da estrada para conseguirem pegar o transporte. “Trajetória é
feita a pé. Eles vão a pé e pegam o ônibus. Estrada está muito
precária”, diz.
Já o Walter Alexandre de Camargo afirma que mora na beira da estrada há
18 anos e que precisa ir com frequência para Botucatu, já que sua filha
de 18 anos faz tratamento contra leucemia. Segundo ele, teve dia que
precisou de trator para poder conseguir sair com o carro.
“É uma dificuldade muito grande para sair daqui. Nem que eu tenha que ir com um trator na frente. Minha menina depende do hospital. A estrada é essencial”, diz.
Em nota, a prefeitura informou que a estrada tem 14 quilômetros de
extensão, está situada em uma região de solo muito arenoso e a via rural
não foi projetada para veículos pesados.
Segundo o órgão, no local existem muitas propriedades que cultivam a
madeira, laranja, grãos e para escoamento da produção se utilizam de
treminhões e tratores traçados para ajudar os treminhões, o que acaba
danificando o leito carroçável.
De acordo com a prefeitura, este ano foram feitas quatro manutenções na estrada, inclusive na quinta feira, 30 de novembro.
Assista ao VÍDEO do flagrante!
TV TEM

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