O Conselho Tutelar de Itapetininga (SP) revelou nesta quarta-feira (7) que Débora Rolim da Silva, de 24 anos, suspeita de matar a filha, Emanuelly Aghata da Silva, de 5 anos, nunca apresentou indícios de maus-tratos e que sempre atendia bem os conselheiros que acompanhavam a família desde a denúncia de agressão feita pela babá, em janeiro de 2017.
De acordo com o conselheiro tutelar Clayton Soares, assim que órgão
recebeu a denúncia, uma equipe foi imediatamente à casa fazer
averiguação. Clayton diz que a mãe atendeu os agentes e foi prestar
esclarecimentos na sede do Conselho Tutelar.
“A casa sempre estava bem organizada, as crianças também, o relatório de
frequência escolar não tinha nenhuma anormalidade, tudo era favorável à
mãe. Ela conseguiu enganar a todos", disse Soares em entrevista
Clayton explicou que fazia o acompanhamento à família e que, ao todo, foram realizadas 10 visitas druante o período.
“O Conselho não detectou nada grave, tanto que o laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou agressão de natureza leve e então o inquérito foi arquivado. Mesmo assim, continuamos acompanhando a família e nada foi constatado”, explica.
Ainda segundo o conselheiro, além da denúncia da babá, o órgão também recebeu queixa da Escola Municipal de Educação Infantil ‘São Paulo Apóstolo’, em outubro de 2017, que a menina apresentava hematomas no corpo.
A denúncia foi confirmada pela Secretaria de Educação, que em nota,
afirmou que um conselheiro tutelar chegou a comparecer na escola,
constatar os fatos e fotografar hematomas encontrados no corpo da
menina.
Soares diz que voltaram a casa de Débora, mas novamente não constataram
nada. Ele conta ainda que não foi pedido um novo exame de corpo de
delito, já que a denúncia apontava as faltas da menina na escola.
“Ao chegarmos à casa perguntando sobre a frequência escolar dela, a mãe apresentou atestados de saúde e informou que ela [Emanuelly] não estaria indo à escola porque estava de atestado”, diz.
Ainda coforme o conselheiro, a escola comunicou a coordenadora do Grupo
de Apoio à Adoção de Itapetininga (Gaadi), instituição que chegou a ser
responsável pela menina quando a mãe perdeu a guarda em 2012. Além disso, a secretaria tentou falar coma mãe, mas não obteve sucesso.
A Secretaria de Educação informou que a menina passou por sessão com
psicólogo à pedido da escola, mas não retornou às aulas em 2018.
A Polícia Civil realizou nesta terça-feira (6) uma perícia na casa da família, em Itapetininga. A polícia quer saber o que houve no imóvel antes da criança ser socorrida pelo Samu.
A Promotoria de Justiça de Itapetininga afirma que aguarda com atenção e
serenidade a ação das investigações, com o resultado da perícia do
corpo e no local do crime, bem como oitivas de testemunhas para, ao
final, oferecer a denúncia contra o casal em relação aos fatos.
Ainda segundo a promotoria, o trabalho do Conselho Tutelar é
fiscalizado pelo Ministério Público, pelo Judiciário e pelo Conselho
Municipal da Criança e do Adolescente, e havendo qualquer indício de
irregularidades, providências serão tomadas e abertos procedimentos para
apuração.
O juiz da Vara da Infância e Juventude Alessandro Viana Vieira de Paula
diz que acompanha o caso. De acordo com ele, a Vara vai agir através da
rede de proteção.
“Existem dois irmãos [da Emanuelly]. A vara da Infância vai agir
através da rede de proteção, Conselho Tutelar para saber se esses irmãos
têm condições de ficar com a família, algum avô, algum tio, primo em
condições de cuidar. Não havendo ninguém para cuidar, o Conselho deve
proceder o acolhimento em abrigo”, diz o juiz.
O crime aconteceu na noite de sexta-feira (2), na casa onde o casal morava com outros dois filhos, de 4 e 9 anos, no Centro de Itapetininga.
Segundo a Polícia Civil, os pais acionaram o Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência (Samu) durante a noite e disseram que a filha estava
convulsionando, depois de uma queda.
A criança foi levada ao pronto-socorro da cidade em estado grave. A
equipe médica verificou que a menina estava com diversos hematomas pelo
corpo e chamaram a polícia.
Segundo a polícia, ao questionar os pais, eles alegaram que a criança
costumava se machucar e, que neste dia, também havia caído da cama, o
que teria provocado a convulsão.
Os médicos, no entanto, disseram à polícia que as lesões não condizem
com a versão dos pais, de que ela se autolesionava. Diante disso, os
pais foram encaminhados para a delegacia e, em seguida, presos, depois
da audiência de custódia.
G1.com

0 Comentários