O servidor Arimateia Pavia, que atua na Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (COGERH), ocupante do cargo de gerente regional da bacia hidrográfica do Curu, em entrevista à Rádio Atitude FM, informou que características atípicas observadas na água do açude Ipuzinho nas últimas semanas, como coloração, odor e sabor estranhos são consequência da proliferação de vegetação aquática no reservatório, ainda resultante do período chuvoso devido a entrada de água vinda de rios da região serrana.
De acordo com Arimateia, o período inverno é propício para que mais matéria orgânica e mineral sejam carreadas pelas chuvas. A matéria orgânica cria condições para que as plantas se multipliquem além do que é observado no restante do ano. O servidor destacou que a COGERH realiza periodicamente análises de qualidade da água em estado bruto e assegura que é de boa qualidade.
Entretanto, não se pode descartar a possibilidade de que agentes poluentes, como dejetos de animais e esgoto não tratado estejam interferindo na proliferação dessas plantas. Disse, no entanto, que a Cogerh não tem papel de fiscalizar crimes ambientais. O papel do órgão seria monitorar a estrutura física da barragem e aferir a qualidade da água. Essas denúncias têm que ser levadas ao conhecimento da Secretaria Estadual do Meio-ambiente (Semace).
Hidrografia no local
Paiva afirmou que se estiver havendo o derrame de esgoto doméstico, há duas soluções possíveis. A ideal seria a execução de um projeto de saneamento básico. Já a segunda solução seria a remoção de habitações no entorno do Ipuzinho. Segundo Arimateia, a área que cerca o espelho d’agua é de propriedade do município, uma vez que a desapropriação de terras foi feita pelo poder público local, portanto, somente a Prefeitura pode remover as famílias que moram nessas terras.
O gerente da Bacia do Curu destacou ainda que por não ter um matadouro em Itapajé, muitos criadores abatem seus animais às margens do açude. Da mesma forma, este ramo mantém currais próximo à água. Os animais são levados para beber no reservatório e esses acabam adentrando na água e contaminando-a com fezes e urina.
Arimatéia Paiva também se queixou de parte dos banhistas, que deixam lixo espalhado às margens e até dentro da água. Placas educativas foram instaladas no entorno do açude, mas vândalos danificaram e deram fim ao informes.
A COGERH já sugeriu à prefeitura a construção de uma
estrada alternativa que interligue as duas margens do açude, evitando que
pedestres e motociclistas transitem pela parede do reservatório, mas o pedido ainda não foi atendido e o problema persiste, podendo acarretar danos.
Informação: Atitude FM
Foto: Arlen Barros

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