Dívida da Prefeitura de Itapajé com a CAPESI chega a R$ 4,3 milhões

 

Foto Google Imagens

As dívidas da prefeitura de Itapajé com a Caixa de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Itapajé (CAPESI), somam R$ 4.364.788,28 (quatro milhões, trezentos e sessenta e quatro mil, setecentos e oitenta e oito reais e vinte e oito centavos), de acordo com relatório de débitos de guias de recolhimento levantado pela diretoria executiva da previdência municipal. Os débitos se referem exclusivamente à contribuição patronal, não incidindo dívida dos percentuais recolhidos dos servidores.

 

Em 05 de fevereiro deste ano o poder executivo enviou à Câmara de Vereadores o Projeto de Lei n° 30/2019, em que solicitava autorização para parcelar as dívidas previdenciárias patronais, no entanto, por oito votos contra sete, o plenário da Casa rejeitou a proposta em análise de redação final, modificando o resultado da primeira votação. À época a prefeitura de Itapajé pretendia parcelar em até sessenta meses um montante de aproximadamente R$ 2,2 milhões.

 

Com a rejeição do PL n° 30/2019, o município só poderá recuperar sua certidão de regularidade previdenciária junto ao Governo Federal caso efetue o pagamento do débito em parcela única. Foi a primeira vez na história política de Itapajé que um pedido de parcelamento de dívidas previdenciárias foi rejeitado pela Câmara de Vereadores. Em sucessivas legislaturas anteriores vereadores de situação e parte da oposição entendiam que não autorizar o parcelamento seria privar o município de recursos importantes diante de tantas demandas. Caso tivesse sido aprovado esse seria o segundo parcelamento de dívidas geradas pela atual gestão.

 

De lá para cá a dívida aumentou e o município não pode propor através de Projeto de Lei um novo parcelamento ainda neste ano. Pelo princípio da irrepetibilidade, ao parlamento é vedada a apreciação de matéria reeditada (com mesmo teor de outra já deliberada), no mesmo ano legislativo.

 

A partir de 2021, um novo pedido de parcelamento poderá ser discutido pelos vereadores e a julgar pelo valor a pagar, o município não terá condições de efetuar o repasse integralmente em parcela única. Seria necessário a destinação integral de dois meses de cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para quitar a dívida. Isso implicaria em paralisação de serviços públicos e não pagamento de salários dos servidores municipais. O que nos leva à dedução de que qualquer que seja o prefeito de Itapajé em 2021, um novo pedido de parcelamento será proposto. Há três meses do fim do ano o município terá dificuldades até mesmo de amortizar o débito, uma vez que a Associação dos Prefeitos do Ceará (Aprece), alerta para uma inevitável queda de receitas. Há ainda a obrigação de pagamento do 13º salário do funcionalismo.

 

Em repetidas ocasiões o prefeito Dimas Cruz justificou o acúmulo da dívida afirmando que as receitas do município, fruto de repasses federais, não têm crescido na mesma proporção das despesas. O pagamento mês a mês de parcelamentos anteriores está em dia.

 

Retrospecto de parcelamentos em curso de dívidas com a CAPESI

 

Entre os anos de 2013 e 2016, período de administração do ex-prefeito Ciro Braga – que governou até ser afastado, em março de 2016 – foram realizados três parcelamentos de dívidas. O primeiro foi em 2013, ocasião em que os débitos, inclusive de gestões anteriores, foram parcelados em 240 meses; o segundo em 2015, dividido em 60 meses; e o terceiro em 2016, também em 60 meses.

 

Em um dos parcelamentos incluiu-se dívida do município com a CAPESI contraída através de devolução indevida de contribuições patronais sobre os vencimentos de servidores temporários, entre os anos de 2006 e 2011. Em dezembro de 2012, no final da administração do ex-prefeito Padre Marques, contrariando entendimento de membros do Conselho Municipal de Previdência, a direção da CAPESI realizou tal restituição, no valor de R$ 500 mil. Posteriormente o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e o Ministério da Previdência, com base em auditoria, consideraram ilegal a restituição do recolhimento patronal e entenderam que a administração municipal deve ressarcir a Caixa de Previdência. Naquela ocasião deveria ter havido encontro de contas, uma vez que a Prefeitura era devedora da Caixa de Previdência.

 

O ex-prefeito Padre Marques durante sua gestão também realizou parcelamento de dívidas. Em 2009 a Câmara aprovou um parcelamento em 240 meses.

Informação: Atitude FM


Postar um comentário

0 Comentários