Um vídeo divulgado pela Polícia Civil de Goiás mostra como um ex-funcionário do Centro de Promoção e Seleção de Eventos (Cespe) fraudou gabaritos para aprovar candidatos que pagaram pela vaga no concurso para delegado da corporação. O ex-servidor foi detido em Brasília e é um dos oito alvos de mandado de prisão da 3ª fase da Operação Porta Fechada, que apura irregularidades no certame. Ela ocorre paralelamente à Operação Panoptes, deflagrada no Distrito Federal contra a "máfia dos concursos".
Segundo a polícia, o ex-funcionário do Cespe - atual Centro Brasileiro
de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe)
-, retirava os cartões de repostas dos candidatos que pagaram entre R$
125 mil e R$ 375 mil pela vaga de delegado e que eram entregues a ele em
branco. Após o gabarito ser divulgado, o próprio funcionário preenchia o
documento de forma correta e encaminhava posteriormente.
O concurso para delegado substituto em questão foi suspenso pela Justiça, por meio de uma liminar, em maio deste ano.
Advogado do Cebraspe, Marcus Vinícius Figueiredo disse
que a entidade colabora com as investigações. “Desde quando tomou
conhecimento dos fatos, o Cebraspe se colocou à disposição da polícia
para cooperar. Os policiais civis de Goiás vieram até a sede e puderam
verificar todo o sistema de segurança. Até mesmo as imagens de câmeras
de segurança foram divulgadas foram repassadas pelo Centro”, ressaltou.
Figueiredo destacou que o funcionário que aparece no vídeo e é
investigado por fraude no concurso para delegado em Goiás já foi
demitido. “O Cebraspe não tem nenhum envolvimento com as fraudes e não
colabora com elas. O Centro continua à disposição para colaborar no que
for preciso”, concluiu.
A Operação Porta Fechada cumpre 36 mandados judiciais, sendo 17 de
busca e apreensão, 11 de condução coercitiva e oito de prisão. Do total
de presos, foram dois em Goiânia, um em Nova Glória, três em Brasília. O
sétimo mandado é referente a um homem que já havia sido preso em
Brasília e o oitavo alvo segue foragido.
Segundo a Polícia Civil, entres os presos em Goiás estão dois líderes
do grupo e três aliciadores. De acordo com o delegado André Bottesini,
titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a
Administração Pública (Dercap), a investigação apontou que ao menos 16
candidatos se envolveram no esquema.
"Deste total, 13 pagaram e foram aprovados nas 13 primeiras posições do concurso para delegado. Outros entraram em desacordo financeiro como grupo e desistiram", explica Bottesini.
Conforme a polícia, o ex-funcionário foi demitido em março deste ano
assim que foi intimado a depor em Goiânia, e o esquema começou a ser
desvendado.
"Este servidor subtraía o cartão resposta dos candidatos, que
entregavam os mesmos em branco e, após a subtração, os preenchia
indevidamente e os devolvia para a correção. Assim, os candidatos eram
aprovados sem fazer qualquer prova", disse o delegado Rômulo Figueiredo,
também da Dercap.
Concurso para delegado
A Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás (Segplan) divulgou o
edital do concurso para delegado substituto em novembro de 2016. O processo conta com 36 vagas com salário de R$ 15.250,02.
O certame é composto por oito etapas: provas objetivas, provas
discursivas, avaliação médica, avaliação de aptidão física, exame
psicotécnico, avaliação de vida pregressa e investigação social, curso
de formação profissional e avaliação de títulos.
Os concorrentes inscritos precisavam ter diploma de curso superior de
bacharel em direito. A jornada é de 40 horas semanais e exige
disponibilidade para viagens.
O prazo de validade do concurso é de seis meses a partir da data de
publicação da homologação do resultado final, podendo ser prorrogado por
igual período.
As irregularidades no certame começaram a ser apuradas pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) no início de março deste ano. Na
ocasião, a promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira contou que os
candidatos questionaram o fato de um dos primeiros colocados no
resultado ter suposto envolvimento em crimes contra a administração.

0 Comentários