O ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou nesta quinta-feira, 28,
que o Ministério da Defesa encerrará nesta sexta-feira, 29, o cerco à
Rocinha, iniciado na sexta-feira passada, 22, por causa do confronto
entre grupos rivais pelo tráfico na comunidade, na zona sul do Rio de
Janeiro. A medida vinha sendo discutida entre o Comando Militar do Leste
(CML) e as forças de segurança. Pesou a convicção de que a comunidade,
após os choques entre criminosos iniciados no dia 17, está estabilizada.
Isso possibilitaria que os 950 oficiais e praças se retirassem, segundo
Jungmann disse ao Estado.
"Apreendemos uma enorme quantidade de drogas, armas, granadas e
muitas pessoas foram presas", afirmou. "Também soubemos que os
principais líderes do tráfico na Rocinha foram para outras comunidades.
Consideramos assim por bem retirar as tropas."
Jungmann declarou
ainda que a retirada total das tropas deverá acontecer até o fim desta
sexta-feira. "Montamos um esquema pelo qual em duas horas, se houver
algum problema na Rocinha e formos acionados, poderemos voltar",
afirmou.
Mais cedo, o porta-voz do CML, coronel Roberto Itamar, afirmara que as Forças Armadas poderiam sair a "qualquer momento"
da Rocinha. Segundo o coronel, todos os dias era avaliada essa
possibilidade, "na medida em que a situação na Rocinha já está sendo
normalizada". As conversas sobre a saída das Forças ocorriam todos os
dias e envolviam representantes de todas os órgãos que participam da
operação integrada, informou o oficial.
"O papel das Forças
Armadas é ajudar na normalidade; a partir daí, as forças de segurança
reassumem no dia a dia, como acontece, segue a vida. Se tiver algum
problema, a gente volta", disse.
Na Rocinha, teme-se que, com a saída das Forças Armadas, o conflito pelo
domínio do tráfico recomece. É possível que os bandos ligados a Rogério
Avelino da Silva, o Rogério 157, e ao seu rival, Antonio Francisco
Bonfim Lopes, o Nem, preso no Presídio Federal de Rondônia, retomem os
choques armados pelo domínio da região.
Uol Notícias

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